Projeto Poetas da Vila ensina literatura para crianças e jovens da Vila Embaúbas

Por FELIPE PEDROSA / VIA JORNAL O TEMPO

“O sofrimento me fez enxergar o que eu não pude ver, me colocou no lugar onde eu posso me reconhecer”. Ryan Delon de Jesus, de 19 anos, é morador da Vila Embaúbas, comunidade localizada na Zona Oeste de Belo Horizonte, e escreveu os versos acima durante as oficinas do projeto Poetas da Vila. A iniciativa encabeçada por Dereck Carvalho, escritor de 30 anos e autor do livro “Eu Escolhi Trajetos Para Evitar Tragédias”, tem plantado a semente da literatura em jovens e crianças da quebrada, além de transformar objetos inertes, como pedaços de madeira, em painéis de arte.

“Eu tenho ensinado essa turma a ressignificar objetos, trazendo cor, poesia e vida para cada um. Inclusive, na última oficina, nós pintamos algumas tábuas, escrevemos as poesias dos alunos nelas e espalhamos os versos pela comunidade”, relata Dereck, que ministra as aulas, ou melhor, faz as rodas de bate-papo toda terça e quinta-feira, entre 15h e 17h, de graça, na Vila Embaúbas. “A gente troca ideias, escreve poesias… e também ensino a arte do grafite, como, por exemplo, trabalhar com o spray”, completa.

O projeto Poetas da Vila é um desdobramento das várias ações que Dereck Carvalho faz pela comunidade. De professor de futebol, ele passou a ensinar poesia para a molecada. Literalmente, a chuteira foi pendurada, mas a caneta foi escalada para escrever novas histórias. “A função do projeto é justamente ressignificar e apontar caminhos. Sou autor do livro ‘Eu Escolhi Trajetos Para Evitar Tragédias’ e, dentro disso, estou apontando os trajetos que vão ligar essa turma aos sonhos, às novas possibilidades e às oportunidades”, explica o artista, destacando que a ação ainda tira a garotada da frente do computador, do celular e dos aparelhos eletrônicos.

E os ensinamentos de Dereck, a propósito, antes de ocuparem a quebrada, invadiram o coração do seu filho primogênito, Dereck Carvalho Gomes, de 8 anos, que é um dos Poetas da Vila. “Esse projeto representa criatividade acima do normal”, conta o pequeno, frisando que o aprendizado tem sido constante. “Tem menino na favela que só aprende bobagem, mas, através dos Poetas da Vila, aprendemos a ter liberdade”, recita o talentoso poeta.

O mesmo pensamento é compartilhado por Ryan Delon, jovem que tem impresso em cada verso suas visões de mundo, assim como seus vários sentimentos. “O projeto é um lugar onde eu posso me expressar, por meio da poesia, do grafite e da arte”, diz ele, que, segundo Dereck Carvalho, será um dos escritores presentes em uma coletânea do Poetas da Vila. O livro ainda está em fase embrionária, mas deve ser lançado até dezembro.

Foto: Dereck Carvalho

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