Artigo | A Educação durante a pandemia

Por Ródinei Páscoa Amélio / Via Brasil de Fato

Há vários pontos de vista sobre a educação durante a pandemia da covid-19. O meu é o ponto de vista de um profissional da educação, um professor. Assim, gostaria de destacar oito pontos que me parecem extremamente importantes neste momento em que atravessamos e somos atravessados pela pandemia da covid-19.

1. Pais, mães e familiares não aguentam mais as suas crianças em casa

E, em relação aos adolescentes, jovens e adultos (EJA), idem. A pressão da sociedade para abrir as escolas não é em nome da ciência, mas sim da iniciativa privada. É ela que pressiona. Você pode dizer que é uma luta pela sobrevivência. Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, há certos interesses que precisam serem conciliados neste momento dramático. Há discussões – sanitária, políticas e sociais – que não podem ficar de fora. Decisões sem maiores reflexões causaram mais danos, prejuízos e desastres. 

2. Os governos não nos ajudam na área da educação.

Não ajudam aos professores, nem aos donos de empreendimentos educacionais, nem a pais, mães, familiares, nem a toda a comunidade escolar. Parecem nossos inimigos, não nossos aliados. Mas, por quê? Porque é uma triste constatação ver que foi preciso o SindUTE-MG brigar na justiça contra as decisões do governo estadual na área da educação, por exemplo. Neste caso, o governador demonstra interesse apenas de atender às demandas da iniciativa privada, ou seja, das escolas particulares. Consequentemente, abrir as escolas públicas e privadas. 

3. A iniciativa privada realmente gera empregos, não tem como discordar disso

E, os pequenos empresários da educação também tem contas à pagar. Mas, no caso da pandemia, a prioridade não deveria ser a vida? Estamos a mais de um mês com mais de mil pessoas morrendo por dia de covid-19. Não tem vacina para todo mundo. É lamentável tudo isso. Enquanto isso, penso que as crianças do ensino fundamental de Belo Horizonte (MG), especificamente, precisam realmente de continuar o processo de aprendizagens. E isto pode ser feito de diferentes formas. À distância é uma delas.

4. A educação é um direito constitucional inalienável

Esta visão da escola como creche e professores e professoras como babás é extremamente danosa para a educação, para estudantes e para a sociedade como um todo. O problema não é a profissão de babá. Porém, a visão atual que recai sobre a educação e o corpo docente diminui muito sua importância social, cultural, política, pedagógica, educacional. Por esta razão, nós, professoras e professores, afirmamos: somos profissionais! Estudamos para isso! E, é com o conhecimento que trabalhamos. Exigimos o devido respeito! 

5. A escola é um lugar de contato, abraço, correria, zoação, brincadeira, rolar no chão, falar e rir alto

Por mais que você queira diminuir o sofrimento mental de crianças e adolescentes abrindo as escolas privadas e/ou públicas, jamais concordarei com esta medida, e estou certo de que quase toda a classe profissional pensa semelhantemente. Porque simplesmente abrir as escolas agora não interrompe a cadeia de transmissão das doenças e da covid-19. Esta medida não é a vacina.   

6. Além do mais, há inúmeras questões sem respostas para as secretarias de educação

Como seria o professor lecionando de máscara? Como será o serviço de limpeza da escola? Vai aumentar o número de funcionários da limpeza? Haverá na porta da escola local para todas as pessoas lavarem as mãos? E as professoras com 60 anos ou com hipertensão, diabetes e que residem com idosos? O que significa responsabilidade social neste contexto, repito, dramático? 

7. Não sou contra as aulas presenciais

Mas só trabalho com segurança, no que me somo a posição da vereadora Iza Lourença (Psol-BH) e Macaé Evaristo (PT-BH).

8. A realidade na escola estadual é ainda mais dramática do que a realidade na escola municipal

Com a falta de estrutura material, entre outros limitantes ao ensino das ciências humanas, exatas, naturais e linguagens. A volta às aulas presenciais sem vacina para todos é uma irresponsabilidade social que outras cidades e estados estão pagando com o aumento no número de casos de infecção pelo covid-19 e pelo crescimento do número de mortes de pessoas vitimadas. Além de ser um contrassenso biológico, sociológico, histórico e político. Esta é uma discussão difícil, mas necessária e irrecusável.

Que não percamos de vista os aprendizados dos que nos antecederam no pensar a educação, como Sêneca para quem “a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida” e John Dewey, que defende que “a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida”.

Edição: Elis Almeida

Foto: Freepik

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