O gigante perdeu o fôlego

Por Camila Rodrigues

Satirizar esse desgoverno nunca foi tão difícil como está sendo nesses últimos dias. Nós chegamos num nível que – de tão baixo na escala do absurdo – já me coloca em dificuldade de conseguir ironizar sem ter a sensação de estar renegando a minha própria humanidade.

Pra nós, moradores de periferia, a morte sempre andou do nosso lado, por inúmeros motivos… Seja ele, dengue ou chikungunya, pelo insucesso da guerra às drogas ou pelo tráfico, por ser gay ou mulher, pelas enchentes ou pela fome, por ser negro e, agora, pelo Covid 19.

Entretanto, morre-se, sobretudo, pela inércia do estado. Pelo descaso sucessivo dos três poderes, em todas as esferas (municipal, estadual e federal) e estamos lidando com cada vez mais pessoas morrendo por pura irresponsabilidade.

Manaus, ápice da nossa tragédia como nação, tem perdido pessoas sufocadas por falta de um mísero cilindro de oxigênio, em plena pandemia. Não basta morrer longe da família, sem direito à velório e enterro digno, tem que morrer sofrendo por asfixia. O que está acontecendo é imperdoável!

Enquanto artistas se movimentaram a noite inteira atrás de aviões e cilindros de oxigênio para enviar aos Manauaras, o ministro da saúde, especialista em logística, disse que não dava pra fazer nada…

Muito bom e chega até ser emocionante, ver artistas se organizando pra ajudar Manaus.  Mas não é isso. Nós temos um presidente eleito, um estado que era pra estar provendo, um ministro da saúde que era pra ter tomado precauções ou no caso, estar tomando providências. É um erro delegar aos artistas a responsabilidade que deve ser dos governantes.

Diante do descaso do presidente, dessa república de bananas, com a saúde pública, seria, então, a hora de cortar impostos, já que são usados somente pra comprar votos, entupir gabinete de CC’s e encher cueca de políticos.

Quem não sentiu um misto de tristeza e ódio não está entendendo o que está rolando nesse país. A gente está cansado de nota de repúdio. Era pra esse lugar estar queimando, mas infelizmente, a única coisa que queima no Brasil é o Pantanal.

Jair Bolsonaro é  o líder de um projeto que transformou o Brasil neste caos por meio de uma política negacionista, irresponsável e desumana. Na conta do genocida, o número de vidas perdidas ultrapassa 200.000. Um incompetente que tinha como discurso salvar a economia e que não conseguiu salvar a economia e muito menos vidas.

Sorria, Bolsonaro! Sorriam, todos vocês que apoiam o negacionismo e a política genocida desse maníaco da cloroquina. Sorriam, senhores governadores e prefeitos; deputados e senadores; desembargadores e ministros. Sorriam, empresários corruptos e lobistas oportunistas.

A nossa realidade é triste e o fundo do poço é fundo de verdade!

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