Saúde Mental

Por Ródinei Páscoa Amélio

A maior parte das pessoas, quando ouve falar em “Saúde Mental”, pensa em “Doença Mental”. Mas a saúde mental é muito mais do que a ausência de doenças mentais. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde é “o estado de bem-estar do corpo físico (biológico), da mente (ter uma cuca legal / “cabeça boa”) e das relações com família, amigas/os, colegas de escola, parentes, com as pessoas com as quais temos algum contato (social)”. 

Mas, afinal de contas, o que é Saúde Mental? Pessoas com “cabeça boa”, ou seja, mentalmente saudáveis, compreendem que ninguém é perfeito/a, que todas as pessoas possuem limites e que não se pode ser tudo para todos/as o tempo todo. Por exemplo: nem sempre é possível para todas as pessoas serem disponíveis, destemidas, abertas para ouvir, dinâmicas nas atividades, felizes, realizadas, preparadas para tudo, pacientes, etc. Nem sempre é possível.  

De maneira geral, as pessoas mentalmente saudáveis vivenciam diariamente uma série de emoções como alegria, amor, satisfação, tristeza, raiva e frustração por meio de situações diversas como: um amor correspondido ou não; uma oportunidade de emprego, ou de desemprego; a separação; a alta ou a baixa produtividade nos estudos ou no trabalho; a doença, a recuperação da saúde, a morte de um ente querido; ouvir constantes palavras desrespeitosas; sofrer agressão física; presenciar a desunião familiar; vivenciar a competitividade no mundo do trabalho; entre outros acontecimentos que cada pessoa pode reagir de diferentes maneiras. Pessoas com saúde mental são capazes de enfrentar os desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio e sabem procurar ajuda quando têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos diferentes ciclos da vida.

A Saúde Mental de uma pessoa está relacionada à forma como ela reage às exigências da vida e ao modo como ela faz para ser feliz, sempre tentando levar em conta os seus desejos, as suas capacidades, as suas ambições, as suas ideias e as suas emoções. Hoje em dia, por exemplo, cada vez mais adolescentes e jovens se relacionam via internet. O uso frequente e intenso de aplicativos da internet podem tanto trazer realizações pessoais, como originar frustrações e, também, podem provocar dor e sofrimento a si própria(o) e/ou a outras pessoas.

Então, ter saúde mental é: 

(1) Estar bem consigo mesmo/a e com os outros; 

(2) Aceitar as exigências da vida; 

(3) Saber lidar com as boas emoções e também com aquelas desagradáveis, mas que fazem parte da vida; 

(4) Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.

Praticar hábitos saudáveis ajudam a manter a saúde mental em dia. Aqui vão algumas dicas de hábitos saudáveis que podem te ajudar bastante: (1) Jamais se isole; (2) Consulte o médico regularmente; (3) Faça o tratamento terapêutico adequado quando precisar; (4) Mantenha o físico e o intelectual ativos; (5) Pratique atividades físicas; (6) Tenha alimentação saudável; (7) Reforce os laços familiares e de amizades. 

Adotar um estilo de vida que promova a autoestima e o desenvolvimento pessoal mediante atividades culturais e de lazer também são benéficos para a saúde mental. Exemplos de atividades culturais: ouvir músicas com suas/seus  amigas/os; dançar; cantar; brincar; sorrir; ler quadrinhos ou mangás; assistir filmes legais adequados à sua idade; desenhar; colorir; participar de grupos de teatro e de artes de modo geral; acessar conteúdos interessantes na internet; seguir páginas no instagram que traga debates que te enriquecem; praticar yoga, etc. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), diversos fatores podem colocar em risco a saúde mental das pessoas de modo geral e das crianças e adolescentes; entre eles: rápidas mudanças da vida de sua família; o trabalho infantil e da pessoa adolescente; quando uma pessoa é impedida de fazer algo ou então é indesejada pelas outras simplesmente pelo fato de ser negra ou pobre ou menina ou menino ou travesti ou gay ou grande ou pequena; quando uma pessoa só come “porcarias”; quando sofre violência ou vê violência; quando os seus direitos como criança ou adolescente não são respeitados; quando vivemos uma situação de pandemia, como esta agora que estamos vivendo – do coronavírus (COVID-19), entre outros fatores.

A saúde mental de crianças e adolescentes na escola

É fundamental ter bons relacionamentos dentro da escola, ou seja, entre você e a professora, você e a diretoria da escola, você e colegas de turma, você, amigas, amigos e familiares, para que todas(os) desenvolvam suas habilidades e potencialidades, tanto dentro como fora da escola. Vale a pena lembrar que a educação é um direito de todas as crianças e adolescentes. Como você viu na semana passada, no PET, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a garantia dos estudos é um dever da família, da escola, do Estado e de toda a sociedade. 

Estudar com alegria e poder contar com a colaboração das/dos colegas, contribui para a saúde mental  de todas/os as/os estudantes. Brincar e ter senso de humor é extremamente importante e necessário nas relações humanas. Entretanto, precisamos nos atentar para que não aconteçam brincadeiras de mau gosto, porque a prática de xingamentos, ridicularização, agressão física, bullying, racismo, homofobia, entre outras formas desrespeitosas de tratamento simplesmente podem arruinar a autoestima de uma pessoa, ou seja, são extremamente prejudiciais à saúde mental e podem causar sérias complicações na vida de alguém, como traumas, depressão, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico, esquizofrenia, etc.

Nos casos de pessoas já diagnosticadas com algum tipo de transtorno mental, será necessário a ajuda profissional da equipe de saúde local com atendimento psicológico, médico-psiquiátrico, medicação específica e terapias ocupacionais.

A saúde mental de crianças e adolescentes na família

O ideal seria que todas as pessoas, de todas as idades tivessem boas relações familiares a fim de desenvolverem-se socialmente, fisicamente e mentalmente. Neste contexto, fortalecer os laços sociais com a família e com as/os amigas/os, realmente, é muito importante para a saúde mental tanto individual como coletiva. Entretanto, a qualidade das relações interpessoais no ambiente familiar varia muito de família para família. Por isso, em alguns casos extremos, de maus tratos, é necessário contar com a ajuda do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente quando ocorrem situações de abusos, violência doméstica (física ou psicológica), formas de alienação, entre outras consideradas violações de direitos humanos da criança e do adolescente. Outra forma de pedir ajuda também é conversar com sua professora, com a diretora da sua escola, uma pessoa com quem você possa confiar. Nos casos de abuso e de maus tratos, existe também um serviço do governo federal chamado “Disque 100”. Ligando para este número você pode fazer uma denúncia anônima. Desta forma, o Conselho Tutelar local será acionado para resolver o problema.

Texto compilado, adaptado e escrito por Ródinei Páscoa Amélio, professor de Sociologia do Ensino Médio da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Publicado pela primeira vez no PET 5, na disciplina de Sociologia.

Referências:

Texto: “Saúde mental” do Ministério da Saúde.  Link: http://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Saude-mental  

Texto: “Saúde mental: o que é, doenças, tratamentos e direitos” do Ministério da Saúde.

Link: https://saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental  

Texto: “Saúde mental depende de bem-estar físico e social, diz OMS em dia mundial”, Nações Unidas – Brasil.  

Link: https://nacoesunidas.org/saude-mental-depende-de-bem-estar-fisico-e-social-diz-oms-em-dia-mundial/  

Texto: “Saúde mental” da Fundação Oswaldo Cruz. Link: https://pensesus.fiocruz.br/saude-mental  
Texto: “Qualidade de Vida” do Instituto Melhores Dias. Link: https://melhoresdias.org.br/areas-de-atuacao/qualidade-de-vida/ 

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