O papel da psicologia

Por Juliana Fonseca / Autêntica Coach

Para que o texto não fique muito extenso coloquei o resumo e uma parte das
conclusões.

O usuário de crack está suscetível a sofrimento físico, mental e social. Físico porque
o vício altera seu corpo; mental porque a fissura o coloca em um estado psicológico
de dependência tal que o leva a rebaixar seus valores e alterar seu comportamento;
social porque ele passa a ser visto como um marginal, alguém que, muitas vezes,
precisa roubar para manter seu vício. A questão do crack no Brasil é superestimada
no que se refere aos números, o vício não atinge tanta gente quanto é propagado
pela imprensa, a questão é como a droga afeta aqueles que ela atinge.

O problema é complexo e pode devassar a vida do usuário e de sua família. Toda a
atenção do viciado se volta à manutenção de seu vício, questões básicas como
alimentação se tornam completamente sem importância. Muitos viciados
demonstram querer se livrar do vício e isso nos prova que muitos têm motivação
para abandoná-lo, a dificuldade é tratar um problema que possui uma característica
biológica e, que depende, a priori, da decisão de uma pessoa que sofre com o
aspecto altamente viciante da droga. Nesse universo a proposta é compreender o
que motivaria um usuário de crack a abandonar o vício e como, a partir daí,
poderiam ser propostas formas de tratamento psicoterapêutico, a partir da Psicologia
Positiva.

A teoria trazida a esse trabalho nos mostra que a motivação está calcada em
necessidades que vão gerar desequilíbrio se não satisfeitas e, por isso mesmo, um
motivo sempre impulsiona o sujeito a agir, seja por um estímulo interno ou externo.
É buscando vidas felizes e produtivas que as pessoas agem, mesmo que essas
ações levem a desvios nesse percurso.

Para agir, seja em prol da manutenção do vício ou não, os usuários se utilizam dos
estímulos sensoriais provenientes dos cinco sentidos; do fator curiosidade, que os
impulsiona na busca por complexidade na vida; na busca por realização e afiliação;
além de agressividade, que nesse caso se volta contra o próprio sujeito; poder e
independência, que estão ligados à questão da influência.

Estudar as motivações para se libertar do crack e compreender por que alguns
conseguem se livrar do vício e outros não, se torna possível se avaliamos como as
questões subjetivas interferem nos resultados obtidos em contextos variados. Uma
pessoa muito agressiva, por exemplo, pode ter muita dificuldade em interromper o
processo masoquista que o crack infringe ao seu corpo e mente. Essa mesma
pessoa pode ter, também, grande dificuldade em alterar seu padrão para a
assertividade e abandonar o vício.

Como já relatado, derrame cerebral, hepatite B e C, infarto, morte súbita, depressão,
suicídio e mudanças de hábitos são alguns dos danos sofridos pelos usuários de
crack. Pagar este preço, em troca de alguns minutos de euforia e sensação de
onipotência, torna-se sem sentido à medida que o uso da droga se torna tão
recorrente que o intervalo entre as fissuras diminui.

Quando essa pessoa se dá conta disso e é capaz de pedir ajuda, o terapeuta pode
atuar no árduo e multidisciplinar processo que se inicia. Entendemos que o ser
humano busca a satisfação das suas necessidades, e estar satisfeito move o
homem rumo a um estado emocional positivo e subjetivo, que é a felicidade.

Definir o que motiva cada usuário a abandonar o uso de crack, com certeza,
incorreria em erros, na medida em que apenas essa pessoa pode revelar quais
fatores indicam para ela um motivo de afastamento da droga. Sabemos que ao final ela busca sua felicidade e a satisfação de necessidades, mas entre isso e o
abandono do vício existe um caminho a ser percorrido.

Esperamos com esse trabalho ajudar pessoas a pensarem, acreditarem e agir em
conformidade com uma vida próspera, feliz, cheia de sentido, esperança, otimismo e
autoeficácia, tanto para si mesmas, quanto para suas famílias e comunidades.
Acreditamos que esse é o papel da Psicologia em nossa sociedade.

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