Saiba por que você não muda

Por Juliana Fonseca /Autêntica Coach (Foto: Fundo foto criado por ijeab – br.freepik.com)

Já dizia o ditado: não se mexe em time que está ganhando. Mas será que o time realmente está ganhando? Quando se pensa em zona de conforto, ganhar significa permanecer, ficar paradinho, quieto! Em minha experiência com meus coachees (clientes de Coaching) percebo que a zona de conforto sempre é bem desconfortável! E mesmo assim, nada confortável, mudar para quê? Por que mudamos? Como mudamos?

O processo de mudança é lento, gradual, doloroso, exige consciência, autoconhecimento e, principalmente, ação. Para Prochaska, professor de Psicologia que desenvolveu o Modelo Transteorético de Mudança Comportamental, na Universidade de Rhode Island, nos anos 70, a mudança atravessa cinco estágios, ao longo dos quais o indivíduo avança rumo ao seu objetivo. Sou apaixonada com esse modelo, esse cara é um crânio! 

Prochaska é bom porque conseguiu fazer um esquema simples de um processo mega complexo, pois a mudança é regida por nossa plasticidade cerebral, que é a capacidade que esse órgão tem de ser maleável, de mudar tanto fisiológica quanto funcionalmente. Essa alteração ocorre por toda a vida e depende das emoções, pensamentos, comportamentos e do ambiente do sujeito. 

Voltando ao Modelo Transteorético, o autor divide a mudança em cinco etapas, sendo a primeira a pré-contemplação, que é quando você nem percebeu ainda que está trabalhando muito e que precisa tirar aquelas férias atrasadas há três anos. Aí você começa a esquecer coisas, a se irritar por pequenos comportamentos alheios e pensa que pode estar cansado, chegando assim, à contemplação do problema, a segunda etapa.

O terceiro estágio é a preparação, quando você infla o peito de coragem para conversar com o chefe chato sobre férias merecidas em uma época que a empresa precisa da sua presença e liderança. Daí vem a ação, quando você pega o telefone e agenda um horário com ele. Na última fase temos a manutenção, em que serão gerenciadas possíveis contingências e buscadas formas de essa mudança se tornar duradoura. 

A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro. 

John F. Kennedy

Podemos pensar em mudança nos termos do exemplo acima, para a retirada de um desconforto, quando agimos para evitar a dor. Mas a coisa fica bonita quando agimos em busca do prazer, da felicidade, do amor. Mais um exemplo: o trabalhador citado poderia pedir demissão ao invés de férias, pois tem refletido nesses três anos que seria mais feliz em outro tipo de trabalho, um que estivesse mais de acordo com suas habilidades e missão e que, de quebra, permitisse mais flexibilidade de horário. 

A questão é que nos prendemos às situações, pessoas, lugares, empregos, porque mantemos o foco em evitar a dor, ao invés de buscar estar, fazer ou vivenciar coisas que se relacionem à beleza, à alegria, ao prazer. Mas isso é facilmente explicável, como já mostrado, a neuroplasticidade se faz necessária no processo de mudança e requer um gasto de energia que nosso cérebro prefere economizar. Por isso gostamos tanto de manter o status quo

Mas eu tenho a forte crença de que se você está lendo este texto é por que gostaria de mudar algo. Se isso for verdade, a primeira coisa interessante a se fazer é identificar seu estágio. Já contemplou que precisa mudar, ou ainda está na pré-contemplação, sentindo só um desconforto, meio inominável? 

Já executou alguma ação em prol do seu objetivo ou ainda está se preparando? Pode ter alcançado o objetivo, mas se pega em recaídas… Precisa pensar na manutenção! Independentemente da fase, pense grande, mas comece pequeno. Uma pequena ação realizada todo dia é só o que você precisa para mudar qualquer coisa! 

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